segunda-feira, 3 de maio de 2010

terça-feira, 30 de junho de 2009

Autoridade

O dicionário Aurélio define "autoridade" como: "1.Direito ou poder de se fazer obedecer, de dar ordens, de tomar decisões, de agir, etc. 2. Aquele que tem tal direito ou poder. [...] 5. Poder atribuído a alguém; domínio. 6. Influência, prestígio, crédito. [...]."
Define "autoritário" como: "1.Relativo a autoridade. 2. Que se baseia na autoridade, despótico. 3. Que procura impor-se pela autoridade. 4. Altivo, impositivo, dominador, arrogante. 5.Impetuoso, violento, impulsivo."
Define "líder" como: "1. Indivíduo que chefia, comanda e/ou orienta, em qualquer tipo de ação, empresa ou linha de idéias. 2.Guia, chefe ou condutor que representa um grupo, uma corrente de opinião, etc. [...]."
E por fim, define "liderança" como: "1. Função de líder. 2.Capacidade de liderar, espírito de chefia. 3.Forma de dominação baseada no prestígio pessoal e aceita pelos dirigidos".

É comum pessoas confundirem os termos acima citados, autoridade, autoritário, líder e liderança. Como pode-se perceber a autoridade é um direito, um poder, algo conquistado ou atribuído a alguém. Autoritário, líder e liderança, pelo contrário, são características intrínseca à pessoa, que possue alguma autoridade ou não.

Vamos nos ater aos sacerdotes, padres, pastores, etc... Com freqüência as igrejas, em especial as históricas e estruturadas, exigem dos postulantes às sagradas ordens um curso de teologia e demonstre algum trabalho na igreja. Aprovado nesses quesitos o indivíduo, mediante uma avaliação e cerimônia especial recebe o título almejado. Ou seja, torna-se uma autoridade na igreja ou até mesmo fora dela.

Mas há aqui um grande problema, nem toda autoridade é um líder. Assim como nem todo líder é uma autoridade. Líderes normalmente são pessoas carismáticas, e seus seguidores, como visto no Aurélio, reconhecem sua liderança e a aceitam. Já as autoridades, são pessoas oficialmente reconhecidas como tal.

Autoridades muitas vezes se perdem no autoritarismo. Desejam ser respeitados pelo "título" que carrega, que obteve em certo período de sua vida. Líderes são voluntariamente respeitados pelos seus seguidores em função de sua liderança.

Vamos assim classificar:

1-Autoridade Autoritário
2-Autoridade Líder
3-Líder

O primeiro é uma autoridade reconhecida e suas ações são opressivas. O segundo é uma autoridade reconhecida e carismática. O terceiro não possui autoridade reconhecida, mas consegue seguidores pelo seu carisma. Já um líder autoritário definiria como contraditório.

E as igrejas possuem estes três representantes. E o que se vê nas igrejas que mais crescem no Brasil, é que seus dirigentes são líderes, e agem como tal, embora possuam a autoridade de padre ou pastor. Já outras igrejas, normalmente as que não crescem ou mesmo decrescem, apresentam uma autoridade a sua frente, não líderes ou autoritários.

Certo dia ouvi de um reverendo que exigia que o respeitassem dentro da igreja, porque ele é a autoridade naquele lugar. O que dizer disto? Que ele é a autoridade daquela igreja não se nega, por uma questão moral-social não se desrespeita o indivíduo, mas... "exigir respeito"??? Defini como uma atitude autoritária. Embora fosse a autoridade daquele lugar, e de fato deva ser respeitado, não deveria usar-se de seu "título" para ser respeitado. Lembrando que o dicionário Aurélio define autoritarismo como aquele que procura impor-se pela autoridade.

Muitos dizem, que se Cristo viesse hoje, o crucificaríamos novamente. Cristo não era autoridade, embora muitos digam que ele era Rabi, um mestre, portanto uma autoridade, mas são apenas indícios daquilo que o Novo Testamento não fala claramente. Não vemos Cristo oficiando em sinagogas. Enfim, sendo autoridade ou não, o que se percebe claramente é que Cristo era um Líder. E é do que as pessoas precisam... de líderes.

Mas nas igrejas encontramos muitas autoridades, poucos líderes e muito autoritarismo. Inveja dos líderes nascem nos corações dos autoritários que hasteiam como bandeiras seus "títulos de autoridade": padre, pastor, reverendo, bispo, apóstolo, mestre, doutor, etc...

A autoridade é algo perigoso. Nem todos são aptos a serem autoridade. Vemos isso nos mais diversos setores da sociedade, polícia, presidente, governadores, deputados, prefeitos, síndicos, chefes, patrões, etc... Mas sem fugir do meio eclesiástico, o perigo da autoridade ronda inclusive entre membros de uma igreja. O livro Autoridade Espiritual de Watchman Nee, foi um livro que vendeu muito, mas trouxe repercussões negativas dentro das igrejas, pois muitas pessoas não sabem lidar com a autoridade, mesmo que a "espiritual" "concedida por Deus", pois tornam-se arrogantes, prepotentes, autoritários, altivos, impositivos, etc... Já outro livro, O Estilo de Liderança de Jesus, de Michael Youssef, não foi um livro de sucesso em vendas, mas traz grandes ensinamentos.

Não quero com esse texto me opor à autoridade. Ela deve existir e ser respeitada, mas toda autoridade deve ser revestida de liderança e não de autoritarismo. Quero também alertar sobre as inversões de valores, quando almejamos em demasia certos cargos como pastor, padre, reverendo, bispo, ou, vereador, deputado, prefeito, juiz, oficial de justiça, chefe, doutor, etc...
Para que queremos esses títulos? Para termos prestígios? Para terem reconhecimento dos outros? Para ganhar mais e se sentir mais? Para ser mais do que os outros? Um autoritário?
uu
Almejamos cargos para melhor servirmos a todos? Para fazer um mundo melhor e mais justo? Um líder?

Analise-se e veja se desejas ser reconhecido como um líder ou um autoritário.

Ricardo Reksidler

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

ICHTHUS - O peixinho dos cristãos

Ao andar pela rua é comum ver nos carros o adesivo de um peixinho, como a da foto abaixo



Alguns desses adesivos com o nome de Jesus escrito dentro. Mas quando pergunto se conhecem o significado a maioria desconhece. Afirmando apenas que é um símbolo cristão e relacionam diretamente com a passagem da multiplicação de pães e peixes, no qual Jesus alimentou uma multidão. Embora exista uma frequencia de citações sobre peixe, tanto na Bíblia, quanto nos Pais da Igreja, o real significado não se encontra na Bíblia, mas em registros históricos antigos.

Existem três explicações, que eu conheça pelo menos, sobre este desenho. Seria possível que estas três explicações seja verdadeiras, pois não se excluem.

1) A primeira explicação e mais comum é que PEIXE em grego é ICHTHUS. Abaixo, uma figura do peixe com a inscrição grega ICHTHUS (peixe).


ICHTUS, além de significar "peixe", trata-se de um acróstico, onde cada letra de I.CH.TH.U.S. corresponde a outra palavra grega, formando a frase que se encontra acima do desenho do peixinho. Transliterando seria algo como IESUS CHRISTOS THEOS UIOS SOTER.


Iesus
CHristos
THeos
Uios
Soter

A tradução dessa frase grega seria: "Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador".

Tudo bem, e qual a razão disso? Vamos para a segunda parte da explicação.

2) Como os cristãos primitivos eram perseguidos, as suas reuniões se davam em locais secretos. E como saber onde seria a reunião? As reuniões não podiam ser em templos, portanto eram realizadas nas casas, catacumbas ou cavernas. E mesmo assim as reuniões não poderiam ser muitos frequentes em um mesmo lugar, para se evitar chamar atenção. Então a forma de marcarem um lugar para a reunião era desenhando este peixinho nos chãos ou paredes indicando para onde deveriam ir, usadas como setas sinalizadoras, ou onde se daria o encontro. Seria um símbolo conhecido somente pelos cristãos.

3) Outra explicação, também plausível, é de que para os cristãos se identificarem, um deles desenhava um arco no chão, com o dedo ou um pedaço de pau. Se a outra pessoa também fosse cristã, desenharia o outro arco, formando assim o peixe. E repetindo o que já foi dito, esta atitude era em função da perseguição que os cristãos sofriam naquela época e região.

Ricardo Reksidler

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Inversão de Versículo I

Conversava com um colega de igreja, e concordávamos o quão absurdo existirem clérigos que querem ver a caveira um do outro. Participo de uma igreja hierárquica, onde o reverendo não possui autonomia total, mas pelo contrário deve sujeitar-se ao bispo. Mas entre o "status" de reverendo e bispo existem outros cargos que são cobiçados, como o de deão, ou deã, cônego, arcediago, bispo coadjutor, etc... enfim... não necessariamente estes cargos se encaixam hierarquicamente, mas conferem um certo "status" a quem o possui. Fora isso, existem rivalidades entre aqueles que assumem uma paróquia "melhor" ou "maior" em detrimento a outra, rivalidades entre aqueles que estão mais próximos ao bispo e os que estão longe, entre aqueles que representam a igreja ecumenicamente e os que não representam, e até o absurdo, entre aqueles que realmente trabalham na igreja e aqueles que se contentam em fazer somente o sermão de domingo. Com frequencia ganhamos inimigos gratuitamente, em nem sequer sabemos disso. Tal situação se torna ainda mais gritante quando nos damos conta que toda essa perversidade e inveja se encontra no meio eclesiástico, e pior ainda, na liderança da igreja.
Seria "normal" e "aceitável" num ambiente (empresa, instituição, etc...) que não carregasse o nome de Jesus Cristo e/ou não pregasse o amor, a justiça, a paz.
Mesmo num ambiente de cunho não religioso, tais intrigas, fofocas, inveja, etc... muitas vezes são condenadas por justamente interferirem negativamente no convivio e bem estar das pessoas.

O apóstolo Paulo, em sua epístola aos Romanos, aconselha:
"15 Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram" (Rm.12.15)

Esta sábia orientação de Paulo nos ensina a humildade, a compaixão, a felicidade, o bom convívio. Mas na prática é subvertida para "alegrai-vos com os que choram, e chorai com os que se alegram".
Parece fácil ficar com raiva ou inveja daqueles que são bem sucedidos ou que conseguiram um cargo por merecimento. Assim como é fácil se alegrar com aqueles que sofrem uma perda ou punição, com um "bem feito" bem escondido no fundo do coração e mascarado por uma face de comiseração.

Bom... é certo que nem sempre quem cresce no seu "status" o fez por merecimento, ou que uma punição por vezes é o que se pode fazer de mais justo. Mas isso não pode justificar a inveja, a raiva ou a satisfação da desgraça alheia.

E deixo a pergunta, como pode alguém falar em ecumenismo se existe divisão em sua própria casa? Não sou contra ao ecumenismo, mas à incoerência instalada nos clérigos e ministros das igrejas.

Ricardo Reksidler

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Evangélicos até onde???

Recentemente estive em Camboriú onde tenho pessoas conhecidas que vivem lá. Estes pertencem à Igreja Evangélica do Evangelho Quadrangular. Porém, mantém contato com diversas pessoas evangélicas de outras denominações.
Contudo, sabe-se que existem muitos evangélicos nesta cidade, e é um ponto de encontro anual dos Gideões. Até aí tudo bem! Mas tenho ouvido histórias absurdas de pessoas que se dizem evangélicas e que agem de forma enganosa, trapaceira, excludente e grosseira.
Quando minha esposa esteve lá, foi quase que obrigada a participar de todos os cultos durante todos os dias da semana, para "firmar um próposito com Deus".
Espera aí... de que adianta frequentar a igreja diariamente se isto não implica numa transformação real de vida!? Se na hora de assumir um compromisso com uma pessoa ou honrar a própria palavra ou o trato feito com alguém são os primeiros a não cumprirem, além de difamarem, brigarem e/ou fazer escandalo? De que adiante ser fiel nos dízimos, ofertas ou "patrocínios", se na hora de pagar a dívida a alguém, seja pessoa, loja ou banco, recusam-se e dão o calote? Será que Deus aceita dinheiro de calote? Certamente a igreja sim!
Bom... estou longe de querer difamar os evangélicos, até mesmo porque tenho muitos amigos e conhecidos, inclusive parentes, que o são. Mas que ética cristã tais evangélicos vivem?
Sei que esta situação não se resume ao município de Camboriú. Mas parte das histórias que ouço são de lá. Inclusive, por citar o encontro dos Gideões, parece ser muito comum a venda de CDs piratas de cantores evangélicos nesse encontro. Aliás, outro fato interessante nesses encontros em Camboriú, inclusive no último encontro, o qual teve a presença do Pastor Silas Malafaia, é que muitas pessoas vem de lugares distantes, e por falta de dinheiro dormem nas ruas e praças de Camboriú. Será que não se abrem mais as portas das casa para receber os viajantes? Um irmão na fé? Pois é... enquanto isso os pastores preletores ficam em hoteis luxuosos e andando de carro importado. Não sou contra a riqueza, mas sou determinantemente contra ao desprezo, exclusão, engano, trapaça e tudo mais quanto prejudica ao próximo ou demonstre falta de amor ao mesmo.

Ricardo Reksidler

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

O amor a Deus e o amor ao Próximo.

"E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas." (Mt 22.37-40).

Como cristão, considero esta passagem como o fundamento maior da Bíblia e consequentemente do viver cristão. Afinal de contas "Deus é amor".

"Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor." (I Jo 4.7-8).

Quando Jesus deu esses dois mandamentos, estava colocando o "amor" acima de todas as coisas. Pois afirma que "destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas".
Tanto Jesus quanto os judeus de sua época tinham a Tanakh como o centro regulador de suas vidas.
Mas o que é a Tanakh? Trata-se de um acrônimo das palavras Torah, Nebhiim e Khetubhim. Que é a divisão da Bíblia Hebraica.

Torah
a
Nebhiim
a
KHetubhim

Torah é a Lei do Judeus, é composta pelos primeiros cinco livros da Bíblia, o Pentateuco. (Genesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio)

Nebhiim são os chamados profetas na Bíblia. E é composto pelos livros de Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Oséias, Naum, Joel, Habacuque, Amós, Sofonias, Obadias, Ageu, Jonas, Miquéias, Zacarias e Malaquias.

Khetubhim são os demais escritos. Escritos que não ditam como regras mas que eram usados em ocasiões festivas, como ensinamentos e nos cultos. É composto por Salmos, Provérbios, Jó, Cantares, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Ester, Daniel, Esdras/Neemias e Crônicas.

Enfim, a primeira e segunda partes da Bíblia Hebraica (Torah e Nebhiim), Lei e Profetas, respectivamente compreendiam o que há de mais importante no conteúdo da Bíblia Hebraica. Entretanto, com frequencia os demais Escritos (Khetubhim), poderiam estar incluso nos profetas. O que poderia ser o caso de Jesus quando falou que "a Lei e os Profetas" dependem dos mandamentos do amor.

Desta maneira, Jesus submeteu o que havia de mais importante para um judeu ao amor. O amor a Deus e o amor a próximo. E assim devemos viver nossas vidas, baseada no amor.

Ricardo Reksidler