quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Inversão de Versículo I

Conversava com um colega de igreja, e concordávamos o quão absurdo existirem clérigos que querem ver a caveira um do outro. Participo de uma igreja hierárquica, onde o reverendo não possui autonomia total, mas pelo contrário deve sujeitar-se ao bispo. Mas entre o "status" de reverendo e bispo existem outros cargos que são cobiçados, como o de deão, ou deã, cônego, arcediago, bispo coadjutor, etc... enfim... não necessariamente estes cargos se encaixam hierarquicamente, mas conferem um certo "status" a quem o possui. Fora isso, existem rivalidades entre aqueles que assumem uma paróquia "melhor" ou "maior" em detrimento a outra, rivalidades entre aqueles que estão mais próximos ao bispo e os que estão longe, entre aqueles que representam a igreja ecumenicamente e os que não representam, e até o absurdo, entre aqueles que realmente trabalham na igreja e aqueles que se contentam em fazer somente o sermão de domingo. Com frequencia ganhamos inimigos gratuitamente, em nem sequer sabemos disso. Tal situação se torna ainda mais gritante quando nos damos conta que toda essa perversidade e inveja se encontra no meio eclesiástico, e pior ainda, na liderança da igreja.
Seria "normal" e "aceitável" num ambiente (empresa, instituição, etc...) que não carregasse o nome de Jesus Cristo e/ou não pregasse o amor, a justiça, a paz.
Mesmo num ambiente de cunho não religioso, tais intrigas, fofocas, inveja, etc... muitas vezes são condenadas por justamente interferirem negativamente no convivio e bem estar das pessoas.

O apóstolo Paulo, em sua epístola aos Romanos, aconselha:
"15 Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram" (Rm.12.15)

Esta sábia orientação de Paulo nos ensina a humildade, a compaixão, a felicidade, o bom convívio. Mas na prática é subvertida para "alegrai-vos com os que choram, e chorai com os que se alegram".
Parece fácil ficar com raiva ou inveja daqueles que são bem sucedidos ou que conseguiram um cargo por merecimento. Assim como é fácil se alegrar com aqueles que sofrem uma perda ou punição, com um "bem feito" bem escondido no fundo do coração e mascarado por uma face de comiseração.

Bom... é certo que nem sempre quem cresce no seu "status" o fez por merecimento, ou que uma punição por vezes é o que se pode fazer de mais justo. Mas isso não pode justificar a inveja, a raiva ou a satisfação da desgraça alheia.

E deixo a pergunta, como pode alguém falar em ecumenismo se existe divisão em sua própria casa? Não sou contra ao ecumenismo, mas à incoerência instalada nos clérigos e ministros das igrejas.

Ricardo Reksidler

Um comentário:

  1. Olá Ricardo. Sou Fernando, seu colega da faculdade. Como faz anos que não te vejo, gostaria de entrar em contato contigo. Espero que você esteja bem. Parabéns pela iniciativa do blog. Não deixe de escrever. Eu também tenho um. Se você quiser, passe lá depois. www.democraciaeliberdade.blogspot.com

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